segunda-feira, 15 de julho de 2013

Desabafo de Mãe

Hoje eu peço licença a vocês pra usar o blog pra uma espécie de "auto-terapia". Preciso desabafar com o teclado pra organizar melhor os pensamentos "aqui dentro".

Não é novidade nenhuma dizer que desde que me vi grávida eu venho 'desdizendo' várias coisas que um dia eu disse (ou mais do que isso, afirmei categoricamente). A gestação com o enorme medo de perder o bebê, o mais difícil período da minha vida - vulgo puerpério, com a dificuldade pra amamentar, a candidíase mamária e a sensação de navalhas estarem saindo do meu peito inclusive enquanto ele não estava mamando, as inúmeras vezes que me peguei chorando sozinha pensando em como essa responsabilidade toda estava pesada pra mim, a introdução de alimentos frustrante e mais um monte de outros episódios que eu poderia enumerar, me fizeram morder a língua várias vezes e me colocaram no "cantinho do pensamento" pra refletir sobre minhas escolhas.

Meu pequeno Bruno agora tem 20 meses. Muita coisa mudou! Ele me diverte e me enlouquece simultaneamente! 
Consegui amamentá-lo exclusivamente e em livre demanda até os seis meses (mas não digo que foi fácil!). Já a introdução de alimentos passou longe do que eu achava ser legal e ideal. Chorei por dentro ao mesmo tempo que senti um alívio ao ver meu marido dando aquela papinha líquida para ele após 1 mês e meio de tentativas frustradas da minha parte tentando o BLW. Dei a chupeta chorando e morrendo de vergonha de mim mesma por saber o que aquilo significava. Tiramos a chupeta muito mais facilmente do que eu poderia supor. Não queria usar supositório de glicerina pq era sugestão da sogra mas após 1 semana de choro, sucumbi ao tal supositório e eis que depois de um grito de dor e um cocô preto e duro o pequeno ser de 7 meses 'desmaiou' aliviado no meu colo (sim, eu me senti uma bruxa má por ter demorado tanto pra aceitar a sugestão). Ah! Falando em cocô, lembrei-me das fraldas de pano! A mocinha aqui não havia comprado um só pacote de fralda descartável porquê queria usar 100% fraldas ecológicas! Ha-ha-ha! Levei dois meses pra conseguir colocar sem vazar! E pouco tempo depois me dei conta que não dava conta de sair com uma bolsa só de fraldas. Mordi a língua e passei a usar as descartáveis pra sair de casa. Aí também bati o pé pra não dar mamadeira pra ele quando eu não estivesse em casa e tampouco um leite artificial quando o meu estoque de LM não fosse suficiente. Aceitei isso logo depois. 

Mas agora reflito novamente sobre todos esses acontecimentos....

Hoje, com 20 meses, o Bruno acorda e pede "sá" [chá]. Quem foi que disse que ele precisava de leite artificial quando não tivesse o meu leite? E hoje vejo que ele não tem nenhuma identificação com a mamadeira. Lógico! Não tem mesmo que se identificar com aquele objeto! A única referência que ele precisa mesmo ter é do contato com a minha pele, com meu calor, com meu seio. Amor.

Olho ao meu redor e percebo que as escolhas conscientes não se restrigem apenas a um momento único da maternidade: quem reflete sobre o protagonismo no parto, reflete também sobre a maternagem, sobre a forma de alimentar seu filho, sobre "deixar chorar", sobre tudo o mais que envolve o cuidado.

Pra que dar mamadeira?
Pra que dar leite de vaca depois que desmamar seu filho?
Por que o ser humano é o único mamífero que não desmama? 

Sinto um alívio enorme em ver que essa ficha caiu pra mim!
Bruno ainda mama no peito. É saudável e tem um vínculo enorme comigo. Percebo que o desmame não é algo que está tão distante (e nem tão próximo) de nós mas tenho certeza que ele não será substituido por nenhum objeto e nenhum outro leite.

Olho pra mamadeira com um certo repúdio atualmente! 
Parece um "engordador" de criança. 
"Ele não come? Bate no liquidificador e põe na mamadeira com um furo bem largo que vai tudinho!" Aaaaaaaaffffffff... pra quê? Pra assar no Natal?

Me perdoem se eu estiver sendo um tanto quanto rude nas palavras mas tenho sentido uma estranheza enorme em ver os bebês sendo alimentados dessa forma ao meu redor. Eu me calo mas meus olhos falam, certamente.

Tudo aquilo que nos faz bem é o que desejamos àqueles que amamos. Como lidar com o fato de que quem amamos têm direito à escolha e nesse momento não está a fim de olhar mais fundo e enxergar o que pra você já é óbvio?

Depois disso entra em jogo a intromissão alheia nas decisões. Bruno não come carne, nunca provou até hoje (pelo menos era o que eu achava até ouvir ontem que minha sogra disse "mas eles não precisam saber que ele comeu!" - que me deixou irada, com dor no estômago e puta da vida). O levei a um nutricionista e sigo bonitinho as suas recomendações (castanhas, suplementação de B12 e mais um monte de coisas bacanas que ouvi na consulta). Não tive em casa, ao menos num primeiro momento, apoio do marido (onívoro!) pra adequar a dieta do Bruno. Não desisti. Melhorei 100% a alimentação dele depois da consulta! Melhorei a minha, inclusive. Mas pra quem é ignorante isso pouco importa. Tenho que ouvir constantemente que "não deveria privá-lo disso", "que ele vai ficar com vontade", "que daqui a pouco ele vai querer comer um bife sangrando esfregando na minha cara"... hunf... como isso me cansa... 
Se vc está tomando uma bebida alcóolica e seu filho de um ano e meio quer beber do seu copo, você vai deixar pq senão ele vai ficar com vontade? E se ele tivesse diabetes, vc deixaria ele comer chocolate, pipoca doce, paçoca... pra ele não ficar com vontade? 
PelamordeDeus, dá pra pensar um pouquinho antes de falar atrocidades pra quem está buscando o melhor pro seu filho???

Percebo, cada dia mais, que é melhor focar no que realmente importa e tentar estar o mais próximo possível daqueles que compartilham do mesmo ideal. Se eu quero falar de parto humanizado não posso puxar esse assunto no meio do cursinho de gestantes do Santa Joana pq ali o foco não é esse e eu certamente serei apontada como a "hippie comedora de placenta". Se eu quero falar de escolhas saudáveis, não dá pra puxar assunto com aquela amiga que dá coca-cola na mamadeira pro filho de 2 anos. Se eu quero ficar com a cabeça tranquila, tenho que fazer escolhas que me tranquilizem, entre elas, com quem e como meu filho estará na minha ausência. A começar: com quem saiba respeitar as minhas escolhas.
E sobre isso, inclusive, nem contei que tentei colocar o Bruno na escola!
Acho que isso é um tema pra outro post, que terei que escrever com muita calma pq é interessantíssimo! Eu não domino o tema, claro, mas posso compartilhar minha peregrinação em busca de um bom lugar pra deixar meu filho por 4 horas / dia e nossas frustrantes 3 semanas de tentativas!

Suponho que esse texto todo tenha ficado sem pé nem cabeça pra quem o leu, mas eu avisei, era um desabafo! 

Voltarei em breve, prometo! 

"Eu vou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antes, eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo... sobre o que é o Amor, sobre o que eu nem sei quem sou..."



2 comentários:

  1. Ana, adorei seu desabafo....concordo com vc que quando buscamos o protagonismo no parto mudamos nossa visão pra outras coisas tb, eu mesma tendo 2 filhos passei a mudar de ideia sobre a maternagem....tudo isso por causa do parto, da busca etc....
    ah, aqui o Danilo tá um leitão, rsrs, mas só de LM!!! bjs

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  2. Ana tive uma aula c/ vc hj a tarde e vim conhecer seu blog, ou melhor dar "cara ao nome" pois já tinha lido algumas postagens suas. Virei tua fã de vez....rs.....ainda não sou mãe, mas me vejo em muitos momentos refletindo sobre a minha postura e percebendo q deixei de fazer muitas coisas q achava q não mudaria nunca....rs....enfim somos pessoas muito doidas mesmo. PS-espero q a gestante tenha te "liberado" logo....rs

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